domingo, 21 de abril de 2013
A LENDA DE OBARÁ
Existiam dezesseis irmãos na cidade de Ilê Ifé na Nigéria:
- Okaran Xoxô,
- Eji Oko,
- Ogundá,
- Yorossun,
- Oshé,
- Obará,
- Ody,
- Eji-onilê,
- Ossá,
- Ofun,
- Owarin Soobè,
- Eji-lashiborá,
- Eji-olobô,
- Iká,
- Ifalahé
- Urunmilá Babá Ifá.
– “Está faltando uma pessoa da família aqui, quem é?”
Eles se entreolharam e disseram:
– “É Obará, nosso irmão mais pobre, nós nunca procuramos ele para nada, ele é uma ovelha negra da nossa família.”
O sacerdote jogou e tirou os ebós necessários para os quinze irmãos. Como na África os babalawôs dão sempre um presente às pessoas que vão se consultar, o sacerdote virou-se e disse, eu como no momento não tenho nada vou dar a cada um uma abóbo ra, para vocês levarem. Entregou as abóboras e eles se retiraram. No caminho uns com os outros comentavam que o Oluwô não tinha dado valor a eles, dando a cada um uma abóbora, presente considerado insignificante e gritavam só quem como isto é porco lá em casa. Um deles falou, como faz muito tempo, vamos visitar o nosso irmão Obará, já é quase noite, pernoitaremos na casa dele e ao amanhecer iremos todos embora. Concordaram e o último disse e ao sairmos deixaremos essas abóboras para Obará comer.
Dito e certo, chegaram à casa de Obará à noitinha, bateram na porta, quem foi atender a esposa de Obará. Os irmãos entraram e saudaram Obará. Obará ficou satisfeito com a visita dos quinze irmãos e perguntou o que era aquilo, eles se olharam entre si e disseram, fomos a um Babalawô e ele disse que este ano você vai morrer, então como você é nosso irmão, viemos nos despedir. Obará abanou a cabeça a mulher começou a chorar com os filhos. Obará então disse:
– “Como é ritual quando se vai morrer oferecer-se um jantar, então você jantarão comigo.”
Os irmãos aproveitaram a oportunidade e comeram tudo da casa de Obará no outro dia cedo se arrumaram, se despediram e ao sair cada um deixou sua abóbora para Obará. Aí começou a chover, chovendo já a três dias a mulher de Obará disse que as caças tinham comido todas as carnes e que a carne seca já havia acabado e até as frutas, enfim tudo. Então Obará lembrou-se das abóboras e disse à mulher come- remos abóboras, vá busca-las, verificaram que na primeira só tinha moedas de ouro, a segunda estava cheia de brilhantes, a terceira só tinha pérolas e assim cada uma tinha uma riqueza dentro. Então uma voz gritou:
– “Não digas nada do que tens, senão voltarás ao que eras.”
Obará prosperou, prosperou, passados meses os irmãos fizeram os ebós e nada resolveram. Então tiveram que procurar um novo Babalwô, se reuniram e lá foram eles novamente. O novo sacerdote fez os preparativos e ao jogar os búzios disse:– “Falta uma pessoa de sua família aqui, quem é?”
Eles responderam é Obará!
– “Vocês fizeram uns ebós e nada resolveram, vocês receberam cada um grande presente e jogaram fora. Eles responderam, o outro sacerdote nos deu a cada um abóbora.”
Então o Babalawô lhes disse:
– “Vocês deram a riqueza de vocês a este irmão.”
Neste momento, eles escutaram toques e clarins e batidas de tambor na rua e o povo todo correndo e gritando que vinha um Homem muito rico oferecer presentes ao Rei. Os irmãos correram à janela, viram de longe um Homem todo de branco, montado em um cavalo branco que de cem e cem metros mudava para outro cavalo, os cavalos tinham os arreios todos em prata, um séquito de escravos e soldados o acompanhavam eles então gritaram:
– “É Obará nosso irmão.”
O sacerdote então jogou e gritou é a riqueza que estava nas abóboras. Eles se entreolharam, coçaram a cabeça e disseram, amanhã vamos lá tomar o que é nosso. Então o sacerdote terminou o jogo e ofereceu uma moeda a cada um dizendo que guardassem mas que aquele ano não seria bom para eles. Nem havia amanhecido o dia os irmãos estavam na porta do palácio de Obará, que antes era uma casa de barro pequenina. O chefe da guarda perguntou quem deveria anunciar. Voltando o chefe da guarda de Obará trouxe o recado dele dizendo que não poderia atender pôr que estava com visitas importantes e tinha vergonha de apresentá-los como irmãos. Então eles gritavam que queriam as abóboras de volta. Obará da sacada do palácio, respondeu para abrir o chiqueiro dos porcos e devolver as abóboras que já estavam podres, e que os porcos já haviam comido.
Então a mesma voz disse:
- “Obará não diga nada do que tens a ninguém, senão voltarás ao que eras.”
Os irmãos gritavam que queriam as abóboras de volta, e Obará respondeu que apodreceram. Pôr isso que, quem é deste Odu deverá dar comida a ele dentro de uma abóbora todo mês de junho na Lua cheia
Obará é o Odu pobre que se torna rico, se a pessoa falar no que tem, os irmãos (os outros Odus) tomam tudo e a pessoa volta de duas a seis vezes pior do que era. Pôr este motivo que as pessoas deste Odu usam o vintém com a coroa para a frente e a cara para trás, para ninguém ver a cara de Obará.
Fonte:https://afroxe.com.br/portal/index.php/relafrobrasileiras-2/religioesafrobrasileiras/47-candomble/330-lendadeobara
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quarta-feira, 17 de abril de 2013
Aluá – Bebida genuinamente brasileira
Bebida refrigerante feita de milho, de arroz ou de casca de abacaxi fermentados com açúcar ou rapadura, usada tradicionalmente como oferenda aos orixás nas festas populares de origem africana, uma das versões para esse nome é uma alusão “ao luar”, porque os escravos preparavam esse refresco à noite, inserido nos cultos afro, mais precisamente nos boris. Essa bebida esta sempre presente nos festejos religiosos ela é uma bebida tradicional. Na Umbanda e no candomblé, o aluá é oferecido a Iemanjá. Em Minas Gerais, ele ainda é servido nos rituais de fé da Igreja Católica, geralmente nas irmandades e não pode ser vendido.
O aluá foi uma bebida trazida pelos portugueses e que foi usada, na época da colonização, na Amazônia, Ceará, Pernambuco, Paraiba, Rio Grande do Norte, depois de passar por um processo de aculturação, substituindo-se a fruta ou cereal fermentado e o açúcar pela rapadura. Até mesmo na capital do Império, o aluá teve sua vez. Câmara Cascudo informa que em 1881, França Júnior, cronista do séc. XIX, evoca a popularidade do aluá durante o reinado de Pedro I na capital do Império: "No primeiro reinado o refresco em voga foi o aluá. O pote de aluá saía para o meio da rua, e o povo refrescavase ao ar livre, a vintém por cachaça". Uma senhora, amiga, relembrou da sua infãncia no interior do Ceará, quando o aluá era feito em todas as casas onde haviam festejos juninos. "Não se fazia quadrilha sem ter aluá em casa para servir ao povo todo".
O Aluá feito em Portugal era uma bebida adicionada de bagaceira, que é a cachaça feita de uva e que muita gente conhece também como grapa. Só que os índios da Amazônia também faziam um suco parecido, com abacaxi e com teor alcoólico bem mais baixo, porque eles usavam o abacaxi fermentado, que gerava uma pequena graduação alcoólica de 3%, metade da de uma cerveja Pilsen.
No Nordeste, a aluá ainda permanece vivo em alguns lugares no sertão, nas novenas, nas festas da padroeira. Em Minas Gerais ele também sobrevive e existe uma tradição de que não pode ser vendido, mas servido em rituais de fé (hoje, nas irmandades católicas) como faziam os negros que dançavam, cantavam e bebiam o líquido de baixo teor teor alcoólico (cerca de 3,5°) que, neste caso, era à base de abacaxi. Minha mãe sempre fez aluá em casa, quando éramos crianças, da casca do abacaxi. É delicioso, com um leve ácido e bolhinhas naturais que se formam na boca por causa da fermentação.
Aluá, Limões Doces e Cana-de-Açúcar - J. B. Debret, 1826
Na casa de Mãe Betinha de Iemanjá Sabá (essa foto antiga é de lá), era tradicional servir aluá (lá chamados garaxó, de abacaxi ou milho). Eram jarras enormes, servidas nas festas para Ibeji, quando os erês se fartavam (e nós, mais crescidos um pouco, também). Nunca ouvi falar de outro terreiro em Pernambuco, com esta tradição que só ouvi falar de terem existido em casas muito antigas da Bahia.
Então, uma boa oportunidade de experimentar. Existem aluás feitos de vários tipos de fontes de amido fermentados ou açúcares, além do milho e abacaxi. Encontrei receitas de aluá até feito de pão, farinha de arroz ou de mandioca. São receitas perdidas no tempo, morrendo com nossa memória e que valem a pena relembrar.
Por termos no Brasil uma rica miscigenação entre os povos (negros, indígenas e brancos), muitas das comidas da culinária afro-religiosa é incorporada em nosso dia a dia, como é o caso do aluá, que também é conhecido como uma bebida refrigerante de origem indígena, feita com a fermentação de grãos de milho moídos. No Acre e no resto da Amazônia é comum se usar o milho triturado ou a farinha de milho. Em outras regiões, como por exemplo em Belém, se usam cascas de frutas como o abacaxi, raiz de gengibre (esmagada ou ralada), açúcar ou caldo de cana e sumo de limão. Também chamada de aruá. Já no estado do Ceará existe uma versão da bebida feita de pão branco, cravo da índia e adoçado com rapadura preta.
Então o aluá brasileiro misturou o culto religioso dos africanos, a colonização portuguesa e a culinária indígena. Portanto, temos aí, talvez a bebida genuinamente brasileira ou, no mínimo, a mais tradicional feita por aqui.
Aluá de milho
Ingredientes:
- Dois litros de milho vermelho seco
- Dezoito litros d'água
- Cinco rapaduras de um quilo cada
- Suco de dez limões, ou o equivalente em laranjas ou outras frutas ácidas, frescas
- Uma raiz de gengibre partida e amassada
- Jarra de barro já usada e que caiba tudo
Escolha, lave e leve o milho ao sol, para secar. Bote uma caçarola, sem gordura nenhuma, ao fogo, coloque o milho e mexa para tostar todo por igual. Retire do fogo e deixe esfriar. Triture grosseiramente o milho em um pilão. Ponha a água na jarra bem como o milho já frio e o gengibre. Tampe bem a jarra e deixe em Infusão durante oito a dez dias. Todos os dias dê uma mexida e, logo em seguida, tampe a jarra. No dia de servir, raspe ou corte em pedaços pequenos as rapaduras e coloque tudo dentro da jarra, já com a água e o milho. Mexa bem até dissolver as rapaduras. Coe num coador de pano, usando em uma toalhinha de cozinha bem limpa. Adicione o suco de frutas. Caso prefira mais doce, pode botar mais açúcar, de acordo com o gosto da pessoa. O aluá também pode ser feito com açúcar comum.
Simbora brindar a cultura afro brasileiro com Aluá! Saúde!
Fonte:https://www.afroxe.com.br/portal/index.php/blogafroxe/70-alu%C3%A1-%E2%80%93-bebida-genuinamente-brasileira
quinta-feira, 4 de abril de 2013
sábado, 23 de março de 2013
IDENTIDADE
Um dos mais belos poemas, que de modo simples nós faz meditar sobre a nossa raça, nossa etinia afro,cantada pela mais bela voz masculina hoje no Brasil, Jorge Aragão...

Jorge Aragão
Identidade
Jorge Aragão
Elevador é quase um
templo
Exemplo pra minar teu sono
Sai desse compromisso
Não vai no de serviço
Se o social tem dono, não vai...
Exemplo pra minar teu sono
Sai desse compromisso
Não vai no de serviço
Se o social tem dono, não vai...
Quem cede a vez não
quer vitória
Somos herança da memória
Temos a cor da noite
Filhos de todo açoite
Fato real de nossa história
Somos herança da memória
Temos a cor da noite
Filhos de todo açoite
Fato real de nossa história
(2x)
Se o preto de alma branca pra você
É o exemplo da dignidade
Não nos ajuda, só nos faz sofrer
Nem resgata nossa identidade
Se o preto de alma branca pra você
É o exemplo da dignidade
Não nos ajuda, só nos faz sofrer
Nem resgata nossa identidade
Elevador é quase um
templo
Exemplo pra minar teu sono
Sai desse compromisso
Não vai no de serviço
Se o social tem dono, não vai...
Exemplo pra minar teu sono
Sai desse compromisso
Não vai no de serviço
Se o social tem dono, não vai...
Quem cede a vez não quer
vitória
Somos herança da memória
Temos a cor da noite
Filhos de todo açoite
Fato real de nossa história
Somos herança da memória
Temos a cor da noite
Filhos de todo açoite
Fato real de nossa história
(2x)
Se o preto de alma branca pra você
É o exemplo da dignidade
Não nos ajuda, só nos faz sofrer
Nem resgata nossa identidade
Se o preto de alma branca pra você
É o exemplo da dignidade
Não nos ajuda, só nos faz sofrer
Nem resgata nossa identidade
Elevador é quase um templo
Exemplo pra minar teu sono
Sai desse compromisso
Não vai no de serviço
Se o social tem dono, não vai...
Exemplo pra minar teu sono
Sai desse compromisso
Não vai no de serviço
Se o social tem dono, não vai...
Quem cede a vez não
quer vitória
Somos herança da memória
Temos a cor da noite
Filhos de todo açoite
Fato real de nossa história
...............................................
Para quem quiser baixar ou ouvir essa musica, segue abaixo o link no site 4shared.
http://www.4shared.com/mp3/xXdPvoDG/SAMBA_JORGE_ARAGO_-_Identidade.htm
Somos herança da memória
Temos a cor da noite
Filhos de todo açoite
Fato real de nossa história
...............................................
Para quem quiser baixar ou ouvir essa musica, segue abaixo o link no site 4shared.
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domingo, 14 de outubro de 2012
Navio Negreiro
Quem no Brasil tem a sorte de ser Negro,ou politicamente Afrodescendente, deve ter a consciencia que nem sempre foi assim, nosso avôs, ou antes deles sofreram horrores para chegar até esse Pais de extensão continental... mas peço não esqueçam daqueles que sofreram para chegar até aqui.
Abaixo um pequeno video que espero que assistam, e divulguem.
“A escravidão passou a ser justificada por razões morais e religiosas e baseada na crença da suposta superioridaderacial e cultural dos europeus.”
Os navios negreiros, ou também conhecidos como “tumbeiros”, levaram mais de 11 milhões de africanos para as Américas. Tais navios negreiros tinham em média 20 tripulantes e só as crianças podiam circular livremente. Mas, com medo de serem maltratadas, muitas delas pulavam na água e se afogavam. Como bem sabemos os “futuros” escravos eram tratados como mercadoria, lixo, pelos relatos eles se utilizavam de um tipo de “banho de gato”, para manter uma certa higiene (se podemos imaginar essa possibilidade em condições tão sub humanas) para lavar a boca, os escravos faziam bochechos com vinagre e para limpar o corpo, só podiam tomar banho duas vezes durante a viagem, que chegava a durar meses ficando assim amontoados em condições desumanas em porões que tinham três patamares, com meio metro de altura cada, imersos em fezes e urina, presos pelos pés, mais de 500 escravos se empoleiravam, sentados ou deitados, e como foi relatado pelos traficantes em documentos, pareciam estantes humanas.
Em contrapartida, não podemos pensar a situação dos africanos a bordo dos navios se resumia a completa desolação. Para que o numero de escravos mortos diminuísse, alguns marinheiro organizavam pequenos grupos que circulavam pelo navio para se exercitar e tomar um pouco de sol. Dessa forma, as “mercadorias” poderiam ser valorizadas nas praças do continente americano. Uma tentativa de mascarar uma viagem tão sofrida.
O medo de revolta de escravos, que estavam sempre em maior número, dentro de uma embarcação era muito grande. No longo período em que permaneceriam e mal ou bem conviveriam juntos, muitos africanos passavam a se solidarizar e tramar planos de rebelião contra seus algozes. Por isso, era sempre importante ter algum marinheiro ou tripulante que fosse capaz de compreender aquilo que era conversado entre os cativos. Contudo mesmo com esse ambiente desfavorável para os negros, em que a única perspectiva era a escravidão, revoltas aconteciam nesses navios cruéis, muitas não davam certo, outras sim, alguns negros se rebelavam e conseguiam tomar seus navios. Foi o que aconteceu com o Amistad, em 1839. Quando não dava certo, e os traficantes conseguiam retomar o controle, castigavam os insurgentes com a morte, os amarrando e os jogando no oceano para se aforarem.
Em caravelas ou barcos a vapor, europeus, americanos e até mesmo outros africanos atravessavam o oceano Atlântico com trabalhadores escravos, geralmente homens de 8 a 25 anos, porém à medida que o tráfico se tornou ilegal e passou a ser perseguido pela política antiescravista dos ingleses, nesse final do sistema de tráfico, a partir de 1850, o critério ficou bem menos rigoroso: eram levadas mulheres, bebês e pessoas de idade, tudo quanto se podia trazer foi trazido: o manco, o cego, o surdo, efetivamente tudo; príncipes, chefes religiosos, mulheres e grávidas, todo e qualquer tipo de negro capturado seria levado e comercializado.

Não existiam barcos feitos especificamente para esta ação, pois a história nos mostra que o randável tráfico foi a solução encontrada pelos comerciantes para trazer cheios de mercadoria os navios que levavam açúcar para a Europa, assim na volta passavam pela África, e abarrotavão seus porões com uma mercadoria tão valiosa e lucrativa quanto o ouro branco que vinha da cana, assim não perdiam viagem, e conseguiam faturar mais. O que se sabe é que mais de 60 modelos diferentes de navios foram adaptados. Mas, nos últimos anos, com muitos países proibindo esse tipo de comércio, os barcos ficaram menores e mais rápidos para se necessário escapar da frota britânica, conhecida pela sua agilidade e seu posto de “vigiar” os mares, através de acordos feitos com chefes de estado que haviam abolido a escravatura. No auge do tráfico esses Navios Negreiros levavam no mínimo 500 escravos em seus porões, eram imensos pesados e lentos. Quando começou a lutar contra o tráfico, a Inglaterra mandava a Marinha interceptar os navios negreiros. Como os Estados Unidos não deixavam os ingleses prenderem suas embarcações, muitos traficantes de outros países viajavam com uma bandeira americana só pra garantir.
Iniciado na primeira metade do século XVI, o tráfico de escravos negros da África para o Brasil, teve um grande crescimento com a expansão da produção de açúcar, a partir de 1560 e com a descoberta de ouro, no século XVIII na região de Minas Gerais. A viagem para o Brasil era dramática, cerca de 40% dos negros embarcados morriam durante a viagem nos porões dos navios negreiros, que os transportavam. Mas no final da viagem sempre havia lucro, por esse motivo o excesso de negros nos porões era necessário, para compensar os mortos, os sobreviventes se tornavam uma mercadoria a qual era atribuída um maior valor comercial. Os principais portos de desembarque no Brasil eram a Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco, de onde seguiam para outras cidades.
O negro não aceitou a escravidão pacificamente, as agitações ocorriam quase regularmente nas fazendas, escravos em bandos fugiam, criando nas florestas os célebres quilombos – lugares aonde habitavam apenas escravos fugitivos – ali viviam em liberdade para realizar seus rituais, sincretismos, suas festas e também para falar sua própria língua. O quilombo mais importante foi o de Palmares, cujo líder foi Zumbi, (em que futuramente farei um artigo especifico).
Em 1850 foi aprovada a Lei Eusébio de Queiroz, a qual punha um fim ao comércio negreiro; em 28 de setembro de 1871 foi sancionada a Lei do Ventre Livre, concedendo liberdade aos filhos de escravos que nascessem a partir daquele momento. Finalmente, no ano de 1885, foi anunciada a Lei dos Sexagenários, que contemplava com a liberdade os escravos com mais de 60 anos.
Foi só no final do século XIX que definitivamente a escravidão, a nível mundial, foi abolida de vez do quadro negro da história. No Brasil a Abolição só se deu no dia 13 de maio de 1888, com o anúncio público e oficial da Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel, sendo nosso país o ultimo a abolir, oficialmente, a escravidão.
Mas será que essa atitude do Estado, pos fim também no ideário de que o negro, era inferior? Infelizmente a História nos deu a resposta: NÃO. Por isso temos que aprender a valorizar, e entender Ser Negro é ter orgulho da sua raça e do seu passado, mesmo manchado foi galgado com suor e lagrimas, temos a missão de transpassar e perpetuar a magnífica e majestosa Cultura Africana!
Abaixo um pequeno video que espero que assistam, e divulguem.
Navios de carga negra
“A escravidão passou a ser justificada por razões morais e religiosas e baseada na crença da suposta superioridaderacial e cultural dos europeus.”
Os navios negreiros, ou também conhecidos como “tumbeiros”, levaram mais de 11 milhões de africanos para as Américas. Tais navios negreiros tinham em média 20 tripulantes e só as crianças podiam circular livremente. Mas, com medo de serem maltratadas, muitas delas pulavam na água e se afogavam. Como bem sabemos os “futuros” escravos eram tratados como mercadoria, lixo, pelos relatos eles se utilizavam de um tipo de “banho de gato”, para manter uma certa higiene (se podemos imaginar essa possibilidade em condições tão sub humanas) para lavar a boca, os escravos faziam bochechos com vinagre e para limpar o corpo, só podiam tomar banho duas vezes durante a viagem, que chegava a durar meses ficando assim amontoados em condições desumanas em porões que tinham três patamares, com meio metro de altura cada, imersos em fezes e urina, presos pelos pés, mais de 500 escravos se empoleiravam, sentados ou deitados, e como foi relatado pelos traficantes em documentos, pareciam estantes humanas.
Em contrapartida, não podemos pensar a situação dos africanos a bordo dos navios se resumia a completa desolação. Para que o numero de escravos mortos diminuísse, alguns marinheiro organizavam pequenos grupos que circulavam pelo navio para se exercitar e tomar um pouco de sol. Dessa forma, as “mercadorias” poderiam ser valorizadas nas praças do continente americano. Uma tentativa de mascarar uma viagem tão sofrida.
O medo de revolta de escravos, que estavam sempre em maior número, dentro de uma embarcação era muito grande. No longo período em que permaneceriam e mal ou bem conviveriam juntos, muitos africanos passavam a se solidarizar e tramar planos de rebelião contra seus algozes. Por isso, era sempre importante ter algum marinheiro ou tripulante que fosse capaz de compreender aquilo que era conversado entre os cativos. Contudo mesmo com esse ambiente desfavorável para os negros, em que a única perspectiva era a escravidão, revoltas aconteciam nesses navios cruéis, muitas não davam certo, outras sim, alguns negros se rebelavam e conseguiam tomar seus navios. Foi o que aconteceu com o Amistad, em 1839. Quando não dava certo, e os traficantes conseguiam retomar o controle, castigavam os insurgentes com a morte, os amarrando e os jogando no oceano para se aforarem.
Em caravelas ou barcos a vapor, europeus, americanos e até mesmo outros africanos atravessavam o oceano Atlântico com trabalhadores escravos, geralmente homens de 8 a 25 anos, porém à medida que o tráfico se tornou ilegal e passou a ser perseguido pela política antiescravista dos ingleses, nesse final do sistema de tráfico, a partir de 1850, o critério ficou bem menos rigoroso: eram levadas mulheres, bebês e pessoas de idade, tudo quanto se podia trazer foi trazido: o manco, o cego, o surdo, efetivamente tudo; príncipes, chefes religiosos, mulheres e grávidas, todo e qualquer tipo de negro capturado seria levado e comercializado.
Não existiam barcos feitos especificamente para esta ação, pois a história nos mostra que o randável tráfico foi a solução encontrada pelos comerciantes para trazer cheios de mercadoria os navios que levavam açúcar para a Europa, assim na volta passavam pela África, e abarrotavão seus porões com uma mercadoria tão valiosa e lucrativa quanto o ouro branco que vinha da cana, assim não perdiam viagem, e conseguiam faturar mais. O que se sabe é que mais de 60 modelos diferentes de navios foram adaptados. Mas, nos últimos anos, com muitos países proibindo esse tipo de comércio, os barcos ficaram menores e mais rápidos para se necessário escapar da frota britânica, conhecida pela sua agilidade e seu posto de “vigiar” os mares, através de acordos feitos com chefes de estado que haviam abolido a escravatura. No auge do tráfico esses Navios Negreiros levavam no mínimo 500 escravos em seus porões, eram imensos pesados e lentos. Quando começou a lutar contra o tráfico, a Inglaterra mandava a Marinha interceptar os navios negreiros. Como os Estados Unidos não deixavam os ingleses prenderem suas embarcações, muitos traficantes de outros países viajavam com uma bandeira americana só pra garantir.
Iniciado na primeira metade do século XVI, o tráfico de escravos negros da África para o Brasil, teve um grande crescimento com a expansão da produção de açúcar, a partir de 1560 e com a descoberta de ouro, no século XVIII na região de Minas Gerais. A viagem para o Brasil era dramática, cerca de 40% dos negros embarcados morriam durante a viagem nos porões dos navios negreiros, que os transportavam. Mas no final da viagem sempre havia lucro, por esse motivo o excesso de negros nos porões era necessário, para compensar os mortos, os sobreviventes se tornavam uma mercadoria a qual era atribuída um maior valor comercial. Os principais portos de desembarque no Brasil eram a Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco, de onde seguiam para outras cidades.
O negro não aceitou a escravidão pacificamente, as agitações ocorriam quase regularmente nas fazendas, escravos em bandos fugiam, criando nas florestas os célebres quilombos – lugares aonde habitavam apenas escravos fugitivos – ali viviam em liberdade para realizar seus rituais, sincretismos, suas festas e também para falar sua própria língua. O quilombo mais importante foi o de Palmares, cujo líder foi Zumbi, (em que futuramente farei um artigo especifico).
Em 1850 foi aprovada a Lei Eusébio de Queiroz, a qual punha um fim ao comércio negreiro; em 28 de setembro de 1871 foi sancionada a Lei do Ventre Livre, concedendo liberdade aos filhos de escravos que nascessem a partir daquele momento. Finalmente, no ano de 1885, foi anunciada a Lei dos Sexagenários, que contemplava com a liberdade os escravos com mais de 60 anos.
Foi só no final do século XIX que definitivamente a escravidão, a nível mundial, foi abolida de vez do quadro negro da história. No Brasil a Abolição só se deu no dia 13 de maio de 1888, com o anúncio público e oficial da Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel, sendo nosso país o ultimo a abolir, oficialmente, a escravidão.
Mas será que essa atitude do Estado, pos fim também no ideário de que o negro, era inferior? Infelizmente a História nos deu a resposta: NÃO. Por isso temos que aprender a valorizar, e entender Ser Negro é ter orgulho da sua raça e do seu passado, mesmo manchado foi galgado com suor e lagrimas, temos a missão de transpassar e perpetuar a magnífica e majestosa Cultura Africana!
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